Futebol Base

Realização de nossos sonhos com disciplina, foco e objetivos

"Esta é a nossa história"

Oferecer a todos, sem discriminação, oferecer a todos, sem discriminação, condições de sonhar e, na realização do sonho, atingir seus objetivos e possibilitar hoje condições para que todos tenham um mundo melhor amanhã.condições de sonhar e, na realização do sonho, atingir seus objetivos e possibilitar hoje condições para que todos tenham um mundo melhor amanhã.

Este sempre foi o meu sonho, mais claro, assim como todos, já fui criança e era, ao menos um pouco, diferente dos meus amigos, nós tivemos, felizmente, uma família que não sem muito sacrifício conseguiu dar a necessária sustentação material para que meu sonho pudesse ser vivenciado.

Tive, e até hoje agradeço, mãe e padrasto que me ofereceram a educação e o carinho – essas foram as bases para que eu conseguisse fazer de um simples jogo de bola, uma vontade de crescer.

Graças a eles entendi que para poder ofertar caminhos é preciso ter o conhecimento de como se erguer após cada queda e compreendi que nem sempre a gente levanta sozinho, muitas vezes é preciso ter uma mão estendida para te ajudar.

E se eu tive, muitas e muitas vezes essa mão a me dar apoio, qual o motivo para que não estendesse eu mesmo a minha para as futuras gerações?

Sempre estudei, em colégio público, e ali sempre estava minha companheira bola. Fui da seleção no primário, no ginásio e, finalmente fui jogar em um time de várzea, o altivo e competitivo Foguinho da Vila Carrão, que tinha como técnico o Sr. Astrogildo que fim ele levou, não sei…qualquer dia preciso ir atrás para agradecer tudo o que me ensinou, este foi o meu início.

Futebol era minha vida. Jogava e via pela televisão tudo o que podia, assistia o meu primo Bio, jogar (e bem) pelo Nacional da Comendador Souza, acompanhado no ataque por Monga e Osmar, craque do time.

Jogando no Torneio Dente de Leite, pela extinta TV Tupi, que premiava os melhores jogadores com bicicletas e relógios.

Era a maior audiência na área do esporte do canal e nesta época eu já estava mudando meu sonho para a Portuguesinha da Vila Santa Isabel.
Um dia, em 1969, meio sem querer, fui fazer uma inscrição no Sport Club Corinthians Paulista, motivado pelo Português, meu sempre companheiro de ataque do Radio Futebol Clube da Vila Formosa, meu terceiro time do período varzeano.

Ele estava realizando teste no Parque São Jorge e aí, meio sem entender a grandiosidade daquele momento, fui acompanhado pelo Bio.
E foi ali, no Corinthians, além de sonho, meu time do coração, que passei minha adolescência até 1974. Fui passando de categoria a categoria Dentão, juvenil-B, juvenil-A, juniores e Aspirante. Lá estavam alguns nomes que hoje, com orgulho e gratidão, posso chamar de amigos: 

Rivelino, Adão, Nelson Lopes, Zé Roberto, Miranda, Peri, já consagrados e, futuras revelações, Benezinho, Darci, Zé Eduardo, Mauro, Wladimir, Laércio, Ogeda, Ivan, Pitta e muitos outros, estes junto comigo e com seus sonhos, eram a aposta do futuro do clube.

Quando cheguei no “juniores” fui emprestado ao Araçatuba junto com Benezinho e Darci e depois sozinho ao Sergipe Esporte Clube.

A empolgação, inimiga da sabedoria, fez com que, voltando, encerrasse a minha passagem amadora no clube, pegando a minha liberação.

Erro? Talvez…não tive paciência, nem orientação, nem a mão amiga e forte que me desse apoio.

De 1975 até 1977, amassei terra e grama de campos de várzea, algo que só quem conhece sabe como é gostoso.

Fui Botafogo da Penha, Black Power do Ipiranga, Moleque Travesso da Vila Guarani, Parque da Mooca, São Jorge de Vila Antonieta, Atlas Transporte do Parque Novo Mundo, SDR da Penha, Botucatu das Vilas das Mercês, Riazor do Bom Retiro, Pelican do Bom Retiro, Ressaca do Tatuapé, Tuiuti do Tatuapé. Disputei o Desafio ao Galo e Copa Arizona, todos grandes times, imensas torcidas, muita emoção e muito aprendizado.

Em 1978 acabei virando jogador de Futebol profissional, mas o time não foi o Corinthians.

Como, em paralelo, mais que um esporte, tinha a intenção de fazer do futebol uma profissão, além dos gramados, também freqüentava a sala de aula do curso de Educação Física.
Ah, o time? Era o glorioso Nacional Atlético Clube, da Comendador Souza o técnico, Servilho de Jesus.

Ali chegamos a disputar um Campeonato da Divisão Intermediária (antiga A-2) e chegamos entre os quatro melhores, fomos eliminados pela Francana, time do Assis (São Paulo, Atlético Paranaense e Fluminense) e Wilson Tadei (Grêmio de Porto Alegre), tinha como companheiros: 

Roberto Dias (São Paulo), Mario Peres, Carlos Prascidelli atualmente preparador de goleiro do Felipão (Palmeiras e Seleção Brasileira), Valdir Vicente (Ponte Preta), Higino, Otávio, e a grande revelação Trajano (foto anexa, atual), desejado por Santos, Internacional de Porto Alegre, Palmeiras e negociado com o Juventus.
Pela necessidade de ser amador e jogar a Copa Arizona pelo Golfinho de Guarulhos, em 1979 fiz reversão de profissional para amador e, fui de novo para a várzea, até que um dia (22/10/1979 uma data inesquecível) cheguei a Sabesp.

Era hora de parar, fixar em um só lugar, uma nova paixão, casamento, filhos, novos sonhos. Mas nunca larguei os estudos, isso não tem como e vou sempre falar para meus filhos seguirem esse mesmo caminho.

Sem conhecimento não se chega a lugar nenhum, sei disso por experiência e faço questão de deixar claro para todos.

Agora 2010, com 30 anos de trabalho prestado à Sabesp, atuando também com esporte, universitário e na 3ª idade, me vejo com o compromisso e obrigação de resgatar um objetivo que amadureceu durante esta evolução pessoal. Até mesmo porque sonhos não morrem, mas ficam adormecidos até o dia de virarem realidade.

O futebol porta para a integração das raças, peladas, partidas, rachas, independentemente do nome, a atividade em si é o que vale. As crianças que nelas participam, ou sua grande maioria esperam um dia ser um jogador famoso, jogar em um time grande, ganhar muito dinheiro, ajudar a família e comprar um belo carro.

Mas isso é regalia para poucos, poucos conseguem atingir o tal sonho e muitos até acordam para conferir que talvez nem mesmo seja o grande sonho. Mas o importante é não desistir.

Sei, por experiência própria, que o funil é muito estreito e nesse jogo a maioria se perde, nas drogas, na bebida, nas festas de aparências e acaba ficando largado, esquecido na sarjeta.

A base está errada, o sonho como bem diz é só sonho, não mostra a realidade, cruel e dolorosa. Sabe qual o erro? A base, por isso é que nunca desisti e nunca vou desistir de investir na educação. A base, em seu conceito claro e límpido, serve de fundamento ou apoio, preparo intelectual é a sustentação de colunas que serão formadas, o alicerce de um uma grande construção.

E se eu conheço a base, se passei por ela, se tive a minha bem construída, tenho obrigação e dever de servir de sustento para a construção de novas vidas, de novas bases, de novos sonhos.

Temos hoje na base, de qualquer clube, jogadores de diversas origens que buscam a sua independência financeira se utilizando do futebol como escada, são jovens que estão preparados para a competição, em sua maioria, longe dos pais e longe de tudo.

Hoje mais experiente, nunca vou falar que estou velho, vejo que meu grande sonho é tentar mudar está situação, estou preparado para este desafio. Sei que sou um pequeno grão de areia na imensidão de um oceano, quero atuar com crianças e jovens, quero ter a oportunidade de oferecer condições e dar orientações aos que finalizaram este período, quero, através do meu trabalho e, experiência adquirida não só no esporte, propiciar aos iniciantes atingir o seu sonho e, para os que estão saindo, uma aposentadoria com qualidade e sabedoria.

Hoje, estou me aposentando pela Sabesp, quero agora, através de trabalho no campo, sair do papel, quero reunir as idéias e, ter a oportunidade de oferecer condições, à alguns de atingir o seu sonho, que também é meu.